Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário.A estranha linguagem utilizada por Alex soberbamente engendrada pelo autor empresta uma dimensão quase lírica ao texto.Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
Setembro 14, 2008
Florbela Espanca – Livro de Mágoas
No «Livro de Mágoas», dedicado ao seu pai, o seu melhor amigo, e à alma que considera irmã da sua, o seu irmão, Florbela centra-se na temática da mágoa, da dor e da saudade, inserindo-se, desde o início da obra, num contexto decadentista e, por vezes, turtuoso. À obra, que abre com uma epígrafe a Eugénio de Castro e a Verlaine, não falta o tom finissecular, dado pela tendência para chorar e lamentar-se que se manifesta ao longo da obra, que inclui sonetos como «Vaidade», «Neurastenia», «Castelã» e «Em Busca do Amor».
ESTE LIVRO …
Este livro é de mágoas. Desgraçados
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo … e compreendê-lo.
Este livro é para vós. Abençoados
Os que o sentirem , sem ser bom nem belo!
Bíblia de tristes … Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!
Livro de Mágoas … Dores … Ansiedades!
Livro de Sombras … Névoas e Saudades!
Vai pelo mundo … (Trouxe-o no meu seio …)
Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Lendo o meu livro só de mágoas cheio! …
Errico Malatesta – Escritos Revolucionários
“Todos entregavam para a propaganda tudo o que podiam, e também o que não podiam, pois quando o dinheiro escasseava, vendiam tranqüilamente os objetos de suas casas, aceitando com resignação as censuras das respectivas famílias. Pela propaganda esquecíamos o trabalho e os estudos! Enfim, a Revolução estava a ponto de eclodir a qualquer momento, e teria arrumado tudo. Alguns acabavam com freqüência na cadeia, todavia, saíam dali com mais energias do que antes: as perseguições não tinham outro efeito senão consolidar nosso entusiasmo. É verdade que as perseguições daquele momento eram fracas comparadas com as que viriam mais tarde. Naquela época, o regime saído de uma série de revoluções: e as autoridades, rígidas desde o início com os trabalhadores, em particular no campo, mostravam certo respeito pela liberdade na luta política, uma espécie de indisposição parecida com a dos governantes austríacos e a dos Bourbons, que, todavia, se desfez tão rápido quanto se consolidou o regime, e a luta pela independência nacional foi relegada a um segundo plano”.
Grupo Krisis – Manifesto Contra o Trabalho
O domínio do trabalho morto
Um defunto domina a sociedade – o defunto do trabalho. Todos os poderes ao redor do globo uniram-se para a defesa deste domínio: o Papa e o Banco Mundial, Tony Blair e Jörg Haider, sindicatos e empresários, ecologistas alemães e socialistas franceses. Todos eles só conhecem um lema: trabalho, trabalho, trabalho !
Miguel de Cervantes – Don Quixote de la Mancha
A ação principal do romance gira em torno das três incursões feitas pelo protagonista e por seu fiel amigo e companheiro, Sancho Pança, que tem um perfil mais realista, por terras de La Mancha, de Aragão e de Catalunha. O personagem principal da obra é um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão pela leitura assídua dos romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis prediletos. Envolve-se em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. O efeito é altamente humorístico.
O verdadeiro nome do pobre fidalgo é Alonso Quijano (Quixano), chamado pelos vizinhos de o Bom. Já de certa idade, entrega-se à leitura desses romances e sua loucura começa quando toma por realidades históricas indiscutíveis as façanhas dos personagens dos livros, as quais comenta com os amigos, o cura e o barbeiro do lugar. Quijano investe-se dos ideais cavalheirescos de amor, de paz e de justiça, e prepara-se para sair pelo mundo, em luta por tais valores e por viver o seu próprio romance de cavalaria. Escolhe um título para si mesmo, o de Don Quijote de la Mancha, apelida um cavalo velho e descarnado com o nome de Rocinante e elege como dama ideal de seus sentimentos uma simples camponesa a quem dá o nome de Dulcinea del Toboso, suposta dama de alta nobreza.
Ignacio Ramonet – A Tirania da Comunicação
Televisão necrófila
Uma lição moral como esta tornava-se realmente necessária depois da revelação, em finais de Janeiro de 1990 de que as imagens terríveis da vala comum de Timisoara na Roménia, eram fruto de uma encenação (Le Fígaro, 30 de Janeiro de 1990): os cadáveres alinhados sobre mortalhas brancas não eram vítimas dos massacres de 17 de Dezembro de 1989, mas mortos desenterrados do cemitério dos pobres, complacentemente oferecidos à necrofilia da televisão. Tínhamo-nos esquecido de que hoje a informação televisiva é essencialmente um divertimento, um espectáculo. Que ela se nutre fundamentalmente de sangue, de violência e de morte. E chega-se a este paradoxo, que quanto mais se comunica, menos se informa, portanto mais se desinforma.
William Gibson – Neuromancer
Um hacker renegado, uma samurai das ruas, um fantasma de computador, um terrorista psíquico e um rastafari orbital num thriller sexy, violento e intrigante. De Tóquio a Istambul, das estações espaciais ao não-espaço da realidade virtual, o tenso jogo final da humanidade contra as Inteligências Artificiais…
Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o primeiro – e ainda hoje o mais famoso – livro de William Gibson. É considerado não só o romance que deu origem ao gênero cyberpunk, mas também o seu melhor representante. Edição especial com nova tradução, nova capa e projeto gráfico, novo prefácio e notas explicativas.
Rubem Alves – A Menina e o Pássaro Encantado
Para o adulto que for ler esta estória para uma criança: esta é uma estória sobre a separação: quando duas pessoas que amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus fica aquele vazio imenso: saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam.
Para que sejam deles, para sempre…
Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Junho 16, 2008
Albert Camus – O Estrangeiro
O Estrangeiro, de Camus (1942), é uma das maiores pegadinhas da história da literatura.O Estrangeiro, de Camus
Vamos aos fatos: na Argélia colonial francesa, um homem mata outro por motivo absolutamente fútil. Pior que fútil. Não havia motivo algum. Ele recebe um julgamento justo, é condenado à morte e, depois, executado.
Nada poderia ser mais straight forward, simples e previsível.
Na verdade, a grande surpresa do enredo acontece depois que o livro é fechado: subitamente, Mersault passa de algoz a herói. 99% dos leitores saem de O Estrangeiro do lado de Mersault, como se ele fosse algum injustiçado, como se ele fosse uma vítima inocente do sistema.
Camus distorce tanto nossa percepção, ficamos tão concentrados nos esforços da promotoria em condenar Mersault não pelo crime, mas por ter ido ao cinema no dia da morte da mãe, que esquecemos que Mersault cometeu, de fato, o crime pelo qual está sendo acusado! O homem é culpadíssimo!
A promotoria pode até ter provado seu caso por vias tortas, usando argumentos que nada tinham a ver com o crime, mas nós, leitores, sabemos que Mersault merece sua punição.
Ou melhor, deveríamos saber, se não caíssemos no conto de Camus.
Jack Kerouac – On The Road
On the Road (Pé na estrada em português) é considerado a obra prima de Jack Kerouac, um dos principais expoentes da Geração Beat estadunidense e considerado a bíblia dos jovens dos anos 60, que colocavam a mochila nas costas e botavam o pé na estrada. Foi lançado nos Estados Unidos da América, pela primeira, vez em 1957.
Responsável por uma das maiores revoluções do século XX, On the Road escancarou ao mundo o lado sombrio do sonho americano, a partir da viagem de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriaty – que atravessaram os Estados Unidos de costa a costa. Acredita-se que Sal Paradise, o personagem principal, seja o próprio Jack Kerouac. Também são encontrados no livro alguns escritores na forma de personagens, como Allen Ginsberg, como Carlo Marx, e William Burroughs, como Old Bull Lee.
É um livro que influenciou a música, do rock ao pop, os hippies e, mais tarde, até o movimento punk.
O diretor brasileiro Walter Salles, de Central do Brasil e Diários de motocicleta, está envolvido na produção da versão para o cinema de On the Road.









