Televisão necrófila
Uma lição moral como esta tornava-se realmente necessária depois da revelação, em finais de Janeiro de 1990 de que as imagens terríveis da vala comum de Timisoara na Roménia, eram fruto de uma encenação (Le Fígaro, 30 de Janeiro de 1990): os cadáveres alinhados sobre mortalhas brancas não eram vítimas dos massacres de 17 de Dezembro de 1989, mas mortos desenterrados do cemitério dos pobres, complacentemente oferecidos à necrofilia da televisão. Tínhamo-nos esquecido de que hoje a informação televisiva é essencialmente um divertimento, um espectáculo. Que ela se nutre fundamentalmente de sangue, de violência e de morte. E chega-se a este paradoxo, que quanto mais se comunica, menos se informa, portanto mais se desinforma.
